Law of Demeter simples em Ruby com a gem demeter

Posted by Emerson Macedo on novembro 26th, 2009

Depois de programar algum tempo em Ruby, me senti muito incomodado em ter que repetir um determinado código para manter minha estrutura respeitando a Law of Demeter. Pra quem não está familiarizado, segue um simples exemplo em Rails:

#models
class Post < ActiveRecord::Base
  has_many :comments
end

class Comment < ActiveRecord::Base
  belongs_to :post
end

#view - erb|haml
@comment.post.title
@comment.post.name
@comment.post.something_else

O exemplo é um pouco forçado, mas o problema claro do exemplo é que estamos conhecendo demais sobre o objeto post dentro de comment. Se for necessário alguma alteração em algum dos atributos que estamos acessando diretamente, possivelmente isso resultará em modificações em cascata em todo código.

Depois dessa explicação básica para quem ainda não conhecia a Law of Demeter, vamos aplicar algumas soluções:

Segunda tentativa:

#models
class Post < ActiveRecord::Base
  has_many :comments
end

class Comment < ActiveRecord::Base
  belongs_to :post
  def post_title
    post ? post.title : nil #preciso verificar se é nulo, caso contrário terei problemas
  end
  def post_name
    post ? post.name : nil #preciso verificar se é nulo, caso contrário terei problemas
  end
  def post_something_else
    post ? post.something_else : nil #preciso verificar se é nulo, caso contrário terei problemas
  end
end

#view - erb|haml
@comment.post_title
@comment.post_name
@comment.post_something_else

Essa mudança resolve o problema. Acontece que isso acaba sendo um pattern para resolver o problema, portanto, precisamos encontrar uma forma de não ficar repetindo esse código.

Quem já leu o livro The Pragmatic Programmer, tem bem na memória o capítulo que apresenta o conceito DRY – D’ont Repeat Yourself. Quem programa em Ruby e principalmente já usou o framework Rails sabe bem que DRY é um dos chavões que estão imbutidos na propaganda. Vamos então tentar fazer mais algumas modificações pra tentar alcançar esse objetivo:

Terceira tentativa:

#models
class Post < ActiveRecord::Base
  has_many :comments
end

require 'forwardable'
class Comment < ActiveRecord::Base
  extend Forwardable
  belongs_to :post
  def_delegator :post, :name, :post_name
  def_delegator :post, :title, :post_title
  def_delegator :post, :something_else, :post_something_else
end

#view - erb|haml
@comment.post_title
@comment.post_name
@comment.post_something_else

O módulo Forwardable já vem com o Ruby. Portanto, a solução mais obvia foi usar esse módulo para melhorar o exemplo anterior. Apesar de escrever menos código, essa alternativa tem o inconveniente de não verificar se o objeto post é nil, causando assim NoMethodError em alguns casos. Sendo assim, a alternativa anterior ainda parece ser mais adequada. Porém, a duplicação de código ainda me incomodava bastante, portanto, resolvi montar uma solução única que deu origem a gem demeter.

A solução definitiva:

#no shell
> sudo gem update --system
> sudo gem sources -a http://gemcutter.org
> sudo gem install demeter

#models
class Post < ActiveRecord::Base
  has_many :comments
end

class Comment < ActiveRecord::Base
  extend Demeter     #extends demeter module
  demeter :post      #demeter post object
  belongs_to :post
end

#view
@comment.post_title
@comment.post_name
@comment.post_something_else

Basicamente o problema foi resolvido com 2 linhas de código:

  extend Demeter
  demeter :post

A vantagens são visíveis porque (1) você escreve bem menos, (2) já existe a verificação de objetos nulos e (3) caso você queira sobrescrever o comportamento padrão, basta criar um método que responda a mesma mensagem que a gem demeter responde. Dessa forma, o método criado pelo programador semrpe terá prioridade.

O código fonte do projeto está em http://github.com/emerleite/demeter com todas as instruções para utilização tanto em Ruby quanto em Ruby on Rails. O código fonte tem todos os testes automatizados que cobrem diversos cenários. O resultado desses testes podem ser vistos em http://runcoderun.com/emerleite/demeter. A página da gem fica em http://gemcutter.org/gems/demeter

Aguardo o feedback de vocês :)

Rails Summit 2009 – Resumo

Posted by Emerson Macedo on outubro 14th, 2009

O Rails Summit terminou. Foi um evento bem legal, com ótimas palestras e a galera de sempre, que já conhecemos.

Vou fazer um resumo das palestras que assisti.

Chad Fowler – http://chadfowler.com

A palestra do Chad foi como sempre focada em carrreia. Ele advertiu os desenvolvedores que produzem porcaria todo dia sem peso algum na consciência. Ele pensa (e eu também) que nós não devemos investir tempo desnvolvendo coisas que já sabemos que são porcaria. E isso não é pessimismo, simplesmente é não perder tempo.

Chad falou também sobre os FUDs que sempre usam contra Ruby/Rails. Isso não foi nenhuma novidade mas ele abordou de forma bem divertida e valeu muto a pena.

Uma das partes mais legais foi a estatística mostrando que Ruby só faz parte de 6% da requisição do usuário. Na verdade não só ruby, mas outra tecnologia também. Isso bom para refletirmos sobre as discussões sobre performance e escalabilidade das aplicações web.

Gregg Pollack – http://envlabs.com

O foco da palestra do gregg foi sobre como atacar alguns pontos para o otimizar sua aplicação Rails. Dentre as formas, ele apresentou algumas gems/plugins que ajudam a identificar alguns pontos para melhoria de performance em uma aplicação. Vou destacar algumas:

  • Bullet – Ajuda a identificar queries com alguns problemas. Ex: N + 1
  • Rails Indexes – Identifica colunas onde deveriam ter índices. Se baseia nas buscas do sistema.
  • Scrooge – Faz com que o ActiveRecord passe a buscar somente os campos que estão sendo usados, ao invés de buscar todos os campos. Ex: em um find(:all), após a primeira execução, o scrooge identifica quais campos foram usados e ná próxima vez modifica a query para não buscar os campos desnecessários.
  • Rack Bug – É uma Monitor para aplicações Rack. Fornece basicamente todas as informações. Sessões, CPU, Memória, etc. Bem útil
  • oink – Mostra detalhes dos requests de cada controller. Ex: consumo de memória.
  • Cloud Crowd – Servidor para rodar tarefas em background. Feito em sinatra.

Ilya Grigorik – http://www.igvita.com/about/

Ilya falou sobre integração/comunicação de aplicações baseadas em web, utilizando-se de tecnologias como XMPP, AMQP, Webhooks, PubsubHubbub. Foi bem interessante, pois a maioria do auditório conhecia pouco sobre o assunto.

Fabio Akita – http://akitaonrails.com

A palestra do akita foi sobre agile. Ele falou bastante sobre a teoria do caos, sistemas complexos e a evolução das coisas. No fim, o recado maior foi alertar que agile não é o último estágio no desenvolvimento de software, deixando claro que temos (e vamos) que evoluir ainda mais.

Glenn Vanderburg – http://blog.thinkrelevance.com

Palestra sobre o framework Tarantula, que tem por objetivo fazer testes de ataques XSS, SQL Injection, entre outros. Achei bem interessante, pois é possível automatizar esse passo, que geralmente fazemos manualmente. Glenn inclusive sugeriu que faça parte do build antes de lançar um release.

Fabio Kung – http://fabiokung.com/

Fabio fez uma ótima palestra sobre DSLs (Domain Specific Languages) internas usando Ruby. Ao invés de apresentar exemplos simples ele apresentou um exemplo real de uma necessidade de uma aplicação que trata de instâncias de máquinas na cloud da Locaweb.

Carlos Vilella http://lixo.org

Carlos fez uma palestra bem curta, falando sobre o uso de Ruby na Thoughtworks. Falou sobre os poucos projetos que falharam e deixou o restante do tempo para perguntas.

Tapajós – http://tapajos.me/

A palestra do Tapajós foi sobre bancos de dados não relacionais. Focado bastante em CouchDB e Rails, ele explorou algumas features chaves na utilização dessa abordagem de banco de dados, também fazendo uma curta palestra e deixando boa parte do tempo para perguntas.

Bruno Miranda – Rails não escala

Eu gostei muto da palestra do Bruno, apesar de achar que o que ele falou é básico para qualquer Arquiteto de Software experiente.  Bruno falou bastante sobre filas, sharding, Cache, Proxy reverso, otimização de queries e sobre rodar processos em background. Acho que a palestra dele foi válida pois qualquer um hoje em dia que aprende tecnologias como Rails sai fazendo aplicações sem um conhecimento mínimo de arquitetura de software. Quando as coisas não dão certo culpam a tecnologia, gerando FUDs.

Vinicius Teles (http://improveit.com.br/) – Empreendorismo

A palestra do Vinícius foi ótima para quem pretende desenvolver um produto e/ou abrir seu próprio negócio. Ele abordou pontos como Fluxo de Caixa, oportunidades vastas que existem no Brasil e o impacto de pequenas decisões certas ou erradas que tomamos na nossa vida profissional.

Obie Fernandes – http://obiefernandez.com/

A palestra do Obie encerrou o evento em grande estilo, falando sobre talento, esforço e reforçando bem o que eu disse há um tempo atrás nesse blog. Não adianta você saber um monte de coisas se não souber bem, se não tiver experiência com isso, treino, treino e mais treino. Você só ganha nível com tempo e treino, isso é fato.

Pra finalizar, gostaria de parabenizar ao Fabio Akita e a Locaweb pelo excelente evento mais uma vez.

E ano que vem tem mais.

BBB9 e o brother que você não gosta – NO AR !!!

Posted by Emerson Macedo on fevereiro 20th, 2009

Entrou hoje, exatamente as 08:34 da manhã, o aplicativo oficial do Big Brother Brasil 9 para orkut na plataforma Open Social, desenvolvido pelo time o qual faço parte aqui na globo.com. Esse aplicativo tem por objetivo alfinetar o brother que o usuário não gosta e comentar sobre o assunto.

Aplicativos Open Social parecem algo como uma brincadeirinha de criança, coisa que qualquer pessoa faz. Mas na verdade, desenvolver esse tipo de aplicação para um programa como o Big Brother Brasil não é tão simples. Aplicações de grande volume geralmente usam arquiteturas recheadas de cache, processamento assíncrono usando fila, criptografia, alguns servidores e um bocado de outras coisas que o torna tão complexo quanto qualquer outro sistema.

Quero aproveitar também e destacar, que conseguimos desenvolver o produto completo “do zero”, em pouco mais de 1 mês. Isso inclui configuração de todos os servidores (inclusive produção que são várias máquinas), ambiente interno de desenvolvimento, servidor de integração contínua, desenho dos bonecos dos brothers de forma personalizada, vários testes de carga em ambientes que simulam produção e muita comunicação. Estou falando disso, pois usamos metodologias ágeis e acredito fortemente que se não fosse assim, não teria sido possível entregar o aplicativo nesse tempo (e não trabalhamos nenhum fim de semana). No caso específico aqui da globo.com, SCRUM é a metodologia usada, mas poderia ser Extreme Programming ou alguma outra qualquer. Um detalhe também importante é que nosso time tem apenas 10 pessoas, o que contraria um pouco o modelo tradicional que diz que com mais gente o trabalho anda mais rápido.

Se você gosta de Big Brother Brasil e deseja expressar sua opinião sobre algum brother, entre na seção de aplicativos do orkut e procure por: BBB – Voodoo Brother.

Assine seus códigos

Posted by Emerson Macedo on fevereiro 10th, 2009

Quem nunca chegou numa empresa ou projeto, deu de cara com um código horroroso e logo disse: Que droga, quem foi o infeliz que fez esse código tosco? Ou o contrário: Quem foi o cara que fez esse código maneiro?

Essas situações são muito frequentes, principalmente a primeira, com códigos fedorentos. Por isso, eu adoto uma postura: Sempre assino meus códigos.

O que seria assinar o código? Bem, assinar o código é aquela simples documentação que vem logo acima do arquivo, como por exemplo em Java, usando o famoso javadoc:

package xpto;
import x;
/**
* @author Emerson Macedo
*/
public class Abc {
// ...
}

Assinar o código pode parecer meio arrogante mas o objetivo não é esse. O propósito de assinar o código e se expor. Quando você assina alguma coisa, explicitamente está colocando a sua autoria naquilo, ficando sujeito tanto a críticas, quanto a elogios.

Quando algum pintor faz um quadro, ele sempre vem assinado em alguma parte. Dificilmente o autor dessa obra de arte vai terminar esse quadro antes que ele tenha certeza que está com ótima qualidade (pelo menos na visão dele).

E no que isso implica? Isso implica que você (1) vai pensar 2 vezes antes de colocar aquela habitual gambiarra no seu código, (2) vai pensar bem antes de concluir alguma coisa sem devidos testes automatizados e (3) vai ser muito mais responsável com o código que você está desenvolvendo.

Conclusão

Como qualquer desenvolvedor, já desenvolvi códigos ruins em diversos projetos pelos quais passei. Aquele que nunca desenvolveu código fedorento que atire a primeira pedra. Hoje em dia, não desprezo a qualidade daquilo que desenvolvo. Acredito muito que quando assinamos nossos códigos e nos damos conta que outro desenvolvedor/programador irá utiliza-lo futuramente, isso gera um maior cuidado com a qualidade.

A diferença entre Criar e Fabricar

Posted by Emerson Macedo on dezembro 12th, 2008

Sempre que eu ouço a frase “Fábrica de Software” meus ouvidos doem bastante. Outro dia, conversando com algumas pessoas, havia um colega que não entendia muito bem a minha aversão por essa tal de “Fábrica de Software”. Após explicar que software é um trabalho criativo, ficou uma dúvida entre algumas pessoas. Afinal de contas, qual a diferença entre criar e fabricar?

Passeando um pouco pelo dicionário, algumas definições me chamaram um pouco a atenção:

  • Criar: inventar; imaginar; dar existência a; desenvolver;
  • Fabricar: executar ou fazer executar certos produtos por processos mecânicos; manufacturar; construir;

É difícil perceber a diferença? Acho que não …

Se formos na Wikipedia podemos encontrar algumas informações ainda mais relevantes. Vejamos parte do texto:

… trabalhadores manufaturam bens ou supervisionam o funcionamento de máquinas que processam um produto, transformando-o em outro. A maioria das fábricas atuais têm grandes armazéns e depósitos com equipamentos pesados, utilizados na produção da linha de montagem

Oito anos atrás, Fowler escreveu sobre isso, explicando claramente que a parte de “fabricar” o software é geralmente uma simples task do ant ou um goal do maven ou alguma coisa no rake, etc.

Já foi falado zilhões de vezes nos foruns de tecnologia que fábrica presupõe trabalho repetitivo, fazer o mesmo produto várias vezes (você faz o mesmo software várias vezes ou quando precisa de uma cópia simplesmente faz um cp arquivo1 arquivo2?), desenvolvimento em fazes (i.e. waterfall). Portanto, não faz sentido comparar nosso trabalho com trabalho de fábrica.

O trabalho do desenvolvedor é criar o software, fazer design do código em todo o tempo, assim como os arquitetos da contrução civil fazem no autocad, ou no bom e velho papel. A diferença é que nós temos a condição de construir (i.e fabricar) o nosso software com custo “zero”. Não precisamos de pedreiros, tijolos, vigas, argamassa, etc. Agente usa o Ant, Maven, Rake, Make ou wathever ora bolas. É tudo de graça. O resultado do trabalho deles é físico, o nosso são bits e bytes.

O erro sempre foi fazer a associação: desenvolver = construir/fabricar. A associação mais correta é desenvolver = projetar/arquitetar/desenhar.

Até a próxima …

Código do Pânico

Posted by Emerson Macedo on setembro 11th, 2008

Certa vez, passei por uma situação que acredito que você já passou um dia na sua vida profissional. Tive que implementar uma funcionalidade nova num projeto e precisava alterar diversas partes do código desse projeto para implementar essa funcionalidade. Infelizmente esse projeto não tem uma boa cobertura de testes automatizados. Existem até alguns testes, mas não o suficiente.

Dentro do “possível”, adicionei testes no projeto para melhorar o nível de confiança nas alterações e conseguir trabalhar um pouco mais sossegado quanto a qualidade do que estava sendo desenvolvido. Aproveitei a oportunidade para estimular meus colegas no uso de testes automatizados. Eu poderia simplesmente ignorar os testes e manter o “padrão” atual do projeto, mas como bem disse uma vez o Guilherme Chapiewski num excelente post sobre inclusão de testes num projeto, no momento em que comecei a modificar o código desse projeto foi o momento em que comecei a colocar testes nele.

Nessa experiência, enumerei 3 sintomas que podem ser um indício de que seu código está virando o Código do Pânico. São eles:

  1. Classes/Metodos/Atributos que aparentemente não são mais usados não são removidos, pois não existe certeza de que a remoção deles não vai causar problema.
  2. Existe um medo enorme em modificar um método. Geralmente cria-se outro que faz “quase a mesma coisa” e com um nome parecido, pois estragar aquele método pode gerar até uma demissão.
  3. Desenvolvedores adicionam gambiarras (ou bacalhau pra quem prefere) sem a menor pena, afinal de contas, o código já está cheio delas mesmo.

A maioria dos problemas que tornam o código do seu projeto um Código do Pânico se resolvem com praticas como TDD, mantendo uma boa suite de testes e também retirando as gambiarras do seu código, que quando não removidas, estimulam outros desenvolvedores a adicionar mais um pouco sempre que a pressa pede.

O quanto você tem medo de alterar o código do seu projeto?

Informática + Tradução = Confusão

Posted by Emerson Macedo on junho 25th, 2008

Uma discussão que sempre vem a tona no forum do GUJ e em conversas entre colegas de trabalho, é sobre o uso do pattern TO/DTO (Antigo VO, que hoje em dia significa outra coisa). Eis o trecho do livro Core J2EE Patterns:

Transfer Object

Problem
You want to transfer multiple data elements over a tier.

Forces

  • You want clients to access components in other tiers to retrieve and update data.
  • You want to reduce remote requests across the network.
  • You want to avoid network performance degradation coused by chattier applications that have high network traffic.

Solution
Use a Transfer Object to carry multiple data elements across a tier.

O Pattern Transfer Object, foi criado para solucionar os problemas dos Entity Beans (EJB 2.x), quando retornados para outro TIER, geralmente a apresentação, pois geralmente ficam em JVMs separadas. Quando você tenta retornar um Entity Bean, o que é retornado na verdade é um Stub para acesso ao mesmo. Quando são invocados os Getters deste, é aberto uma conexão de rede para cada invocação. Isso é extremamente custoso, gerando um overhead extremamente desnecessário.

Bem, mas nosso papo é tradução certo?

INI-UPDATE: Consegui o livro em português com um colega e estou adicionado a tradução em português também.

Vejamos a tradução para o português:

Transfer Object

Problema
Você deseja transferir diversos elementos de dados sobre uma camada.

Forças

  • Você deseja que os clientes acessem componentes em outras camadas para recuperar e atualizar os dados.
  • Você deseja reduzir as solicitações remotas ao longo da rede.
  • Você deseja evitar a degradação do desempenho da rede causada pelas aplicações muito ruidosas que têm alto tráfego de rede.

Solução
Use um Transfer Object para enviar vários elementos de dados por uma camada.

O leitor atento perceberia que o segundo e terceiro item da seção Forças fala de tráfego de rede e degradação do desempenho da mesma.

FIM-UPDATE

Acontece que, o termo TIER, foi traduzido erradamente no livro em português para camada. O mais correto seria camada física ou . Em Java isso pode ser considerado simplesmente “em uma outra JVM”. Essa tradução gera confusão a todo momento. Se você conversar com 10 desenvolvedores, vai perceber que a maioria acredita que TO/DTO pode/deve ser usado entre LAYERS (i.e. camadas lógicas, usadas apenas para organização do software). Eis um grave problema de tradução, pois uma grande parte não sabe a diferença entre LAYER e TIER, e o uso do Pattern dessa forma se mostrou uma solução sem sentido, conforme diversas discussões no próprio GUJ.

Outro grave problema recorrente é a tradução dos livros de Patterns. Pegue por exemplo o PEAA traduzido e veja o Pattern Active Record. O nome do Pattern foi traduzido para Registro Ativo. Parece piada, considerando que um dos maiores valores de um Pattern é a criação de um vocabulário comum.

Em fim, existem diversos outros exemplos ruins, e só quem perde com isso é o leitor.

Mas nem tudo está perdido. Existem sim traduções bem aceitáveis, porém em quantidade extremamente reduzida e demoram a sair. Você está disposto a esperar? Não acha melhor comprar o livro em inglês mesmo?

Mas se eu não domino o inglês? :(

Sinto informar, mas você vai ficar refém de boas traduções, isso quando tiver tradução. Sem contar os podcasts, como por exemplo os videos disponibilizados no InfoQ. Na verdade, muita coisa não tem tradução e nem vai ter, isso é fato.

Esse cenário serve pra reforçar a idéia de que o inglês na área de TI é fundamental para o profissional se manter atualizado, visto que existem livros que não são traduzidos, e os que são, ou a tradução é horrível, ou demora muito para ser traduzido após o lançamento da versão original.

Mesmo que o cenário mude, ainda assim tem muita coisa que você estará perdendo. Quem sabe um emprego no exterior?

Workshop Modelagem Agil e Domain Driven Design – Eu fui

Posted by Emerson Macedo on junho 17th, 2008

No último fim de semana (13 e 14 de junho/2008), participei com alguns amigos do Workshop de Modelagem ágil e DDD promovido pela Fratech em São Paulo.

O Workshop foi bem interessante, abordando temas atuais e de extrema importância no conhecimento do Desenvolvedor de Software.

No primeiro dia, o foco foi bastante em FDD, M3 e Agile Draw. Foi bem legal esse primeiro dia, pois eu experimentei algumas técnicas que nunca havia tentado. Confesso que não simpatizei muito com a modelagem com as figurinhas, nem muito com a FBS, mas eu vou pensar mais sobre o assunto e tentar me aprofundar um pouco pra tirar melhores conclusões.

Da esquerda pra direita: Colega de verde(rs), Gustavo, Eu, Colega de Branco(rs)

No segundo dia, o foco foi todo vontado para Domain Driven Design e UML em Cores. Foi bem interessante, pois o assunto tem um hype nos dias de hoje e é um assunto bastante motivador também.

A técnica de UML em Cores me ajudou um pouco a identificar algumas coisas em Model Driven Design, mas ainda assim, preciso testar mais pra definir se usarei essa técnica.

No mais gostaria de dar os parabéns ao Felipe Rodrigues e o Manoel Pimentel pelo evento que foi muito legal e tenho certeza que surgirão outros.

Da esquerda pra direita: Adndré, Eu, Felipe, Gustavo e Manoel

O unico problema é ter que se despencar do Rio de Janeiro toda vez, pois aqui estamos meio carentes de coisas do tipo, exceto pelo fato que as ultimas reuniões do RioJUG foram excelentes.

Pílula vermelha: Ta valendo a pena oferecer?

Posted by Emerson Macedo on fevereiro 28th, 2008

A área de Desenvolvimento de Software passa por uma grande mudança nos últimos anos. Existe um apelo muito grande na comunidade de desenvolvedores de software para práticas ágeis, menos burocracia e soluções práticas e eficientes para se trabalhar.

Acontece que pessoas com perfil inovador, ou mesmo pessoas mais tradicionais mas de mente aberta, se empolgam facilmente e tentam convencer as pessoas que essas “novidades” são ótimas e que a forma”antiga” com que fazemos as coisas não funciona, ou melhor nunca funcionou de forma decente.

Ai começam os problemas. Por mais incrível que pareça, as pessoas de TI em sua maioria são muito mente fechada, e quando se fala de algo do tipo a maioria delas tem uma resistência enorme e geralmente faz alguma gozação, ou simplesmente menospreza dizendo: “Meu filho, a IBM que criou isso? A Sun? A Oracle? Ah, foi Fulano de tal? quem é esse cara? Não quero saber disso não ..”

Felizmente, encontro pessoas abertas, que ouvem, percebem e ao menos procuram conhecer sobre os assuntos e na maioria das vezes a pessoa passa a entender as mudanças e se tornar adepto.

O problema disso tudo é que em vários momentos tem gente mente fechada que nos enxerga como maluco, quase uma comunidade de anarquistas, algo como se fosse uma rebelião contra o modelo atual. De fato, é uma insatisfação total, pois a coisa já ta mais que provado que não funciona, basta ver os prazos estourando, pilhas de documentos que estão sempre desatualizados e software com qualidade a baixo do aceitável.

Depois de levar tanto fora e ser tratado mau algumas vezes por algumas pessoas, será que ta valendo a pena ainda oferecer a pílula vermelha?

Acho que vou adotar a idéia do Morpheu e evitar oferecer essa pílula para as mentes adultas (Aqui você entende como quiser). Melhor oferecer com mais critério, não pelos mesmos motivos do filme matrix, mas pra evitar desgaste com pessoas, que é muito chato.

Com as mudanças que ocorreram e ainda estão ocorrendo na área de Desenvolvimento de Software, como agile, TDD (Acreditem, apesar de não ser novo tem muita gente que ainda nem sabe o que é isso), SCRUM, etc, é muito comum que as pessoas com perfil inovador, ou mesmo pessoas mais tradicionais mas de mente aberta, se empolguem bastante e tentem convencer bastante gente de que essas mudas são ótimas e que a forma com que fazemos as coisas nas grandes corporações aqui do Brasil, com processos burocráticos, quilos de documentação, metodologias Waterfall disfarçadas de RUP, simplesmente não servem mais, ou melhor, nunca serviram.

A maravilhosa teta chamada SOA

Posted by Emerson Macedo on fevereiro 15th, 2008

Nos últimos meses, tenho ajudado a empresa onde trabalho a escolher um fornecedor para implantar SOA na casa. Infelizmente, não nos está autorizado a fazermos nós mesmos. Os fornecedores escolhidos pela empresa para nossa avaliação, são quase todos fornecedores [A-Za-z]{3}.

Tenho percebido de maneira geral que a maioria desses fornecedores não conhece muito do que nos tem apresentado. Uma simples pergunta sobre Message Broker e ninguém, absolutamente nenhum dos fornecedores soube responder direito. Na verdade, alguns deles confundiram com o produto Message Broker da IBM e outros com ESB.

Teve uma outra empresa, que não posso mencionar o nome por motivos óbvios, que conseguiu vender um projeto SOA aqui dentro, que não era nada mais que instalar um ESB, um servidor de processos e fazer um sisteminha de referência e só !!!! O Pior de tudo é que ganharam uma grana preta com isso.

O fato é que está muito difícil opinar sobre qual fornecedor a empresa deve confiar o “projeto” SOA, e o cenário atual, com a pressão vinda de cima pra baixo para implantar alguma coisa de SOA, só porque está na moda e sem as vezes nem entender o que é, faz como que muitos fornecedores consigam essa maravilhosa TETA pra mamar nas grandes corporações.


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