Quem ama bloqueia
agile, ensino, gestão, pragmatic, scrum outubro 27th, 2008Quem não se lembra do comercial da Oi sobre bloqueio de celulares que fez bastante barulho?
O bloqueio as vezes faz parte da vida do Desenvolvedor de Software. Em muitas empresas que trabalhei, tive que conviver com alguns. Foram eles:
- Bloqueio da Internet (Parece mentira, mas trabalhei num lugar onde somente algumas equipes tinham acesso a internet)
- Bloqueio de Instant Message
- Bloqueio de email (Não dava pra acessar o Gmail)
- Bloqueio do Internet Banking
- Bloqueio de alguns sites (Eu não conseguia acessar alguns blogs importantes)
- Bloqueio do Telefone (Não dava nem pra ligar pra casa e em algumas empresas nem telefone na mesa tinha)
- Bloqueio da estação de trabalho (Como que um desenvolvedor que não pode instalar nada no seu computador consegue trabalhar?)
- Bloqueio da Impressora (Tinha senha especial pra imprimir)
Depois de sofrer bastante com esses bloqueios eu me interessei em saber o motivo que leva muitas empresas a trabalhar dessa forma. Apesar do argumento deles ser furado, vou listar o que eu ouvi de diversas pessoas:
- Perda de produtividade (segundo eles, as pessoas perdem muito tempo com coisas inúteis na internet e telefone)
- Falta de foco dos funcionários (Pessoas se desconcentravam facilmente com o IM e outros)
- Desperdício de recursos da empresa. (Gente imprimindo e usando o telefone demasiadamente)
Depois disso, passei a observar o comportamento das pessoas pra ver como cada um se resolvia com essa série de bloqueios. Eis o que percebi:
- A ausência da Internet gerava falta de produtividade, pois os desenvolvedores não conseguiam pesquisar algumas coisas, não tinham forum de discussão e não se mantinham atualizados lendo alguns blogs de tecnologia
- A ausência do Instant Message impedia que um desenvolvedor pedisse ajuda a algum colega que já tenha trabalhado com ele para solucionar um determinado problema.
- A falta do email fazia com que houvessem notebooks com internet móvel espalhados pela empresa para que o pessoal conseguisse ler seus emails.
- A impossibilidade de instalação de softwares na máquina do desenvolvedor fazia com que o mesmo perdesse mais tempo que o necessário para resolver determinados problemas.
- Muitos criaram seu prórpio jeito de burlar isso tudo (Proxys anônimos, senha de admin das máquinas escondido, mais tempo de almoço pra telefonar e imprimir em lan-houses)
E o pior: Essas empresas PERDERAM ÓTIMOS PROFISSIONAIS.
Atualmente eu trabalho numa empresa onde não tem dessas coisas. Aqui nossa internet é totalmente liberada, podemos usar o telefone sem problemas, enviar email a vontade, pagar nossas contas e até mesmo usar o Instant Message (MSN, Yahoo, ICQ, Gtalk), que é considerado por muitos um absurdo.
A conclusão que eu cheguei foi que não importa o que a empresa faça, se o desenvolvedor não quiser trabalhar, ele vai dar um jeito de faze-lo, mesmo que seja burlando as coisas ou simplesmente levando um livrinho e passando o dia lendo na sua mesa.
O que a sua empresa precisa é contratar profissionais de verdade e não pessoas que simplesmente querem um emprego, pois quem quer realmente trabalhar, usa esses recursos a favor da empresa e não contra.
Para aumentar a produtividade e diminuir os custos, recomendo ainda introduzir alguma filosofia de trabalho ágil na sua empresa.
Quem ama não bloqueia !!!

outubro 28th, 2008 at 22:57
Pois é cara, já tive uma experiência parecida.
Começamos a bloqueando o orkut porque tinha “um cara” que saia de lá, então ele começou a usar msn, bloqueamos, então partiu para o skype, bloqueamos, então para o gmail, bloqueamos, então para sites de esporte…. Até que percebemos que o problema não estava nos sites ou nas ferramentas mas no cara, e depois de muita conversa com ele sem resultados, o cara foi desligado da empresa.
outubro 29th, 2008 at 9:00
@andre
Isso realmente acontece aos montes. Mas aqui na globo.com, onde é tudo liberado, todos produzem muito bem mesmo assim.
outubro 30th, 2008 at 8:54
Essas empresas bloqueadoras estão por toda parte! Cruz, credo!
novembro 6th, 2008 at 0:23
Fala Emerson, não sei se vai lembrar de mim, mas trabalhava lá no Bradesco pela Stefanini (mas não era alocado). Trabalho ainda né…
Enfim, acho que as últimas frases do seu post definem bem a verdade sobre essas situações de abuso: se o cara não quiser trabalhar, não vai, não importa o que a empresa faça. Na verdade, esses comportamentos podem ser detectados na hora da entrevista, existem técnicas pra isso, mas realmente se a empresa que não quiser se preocupar com isso precisa procurar pessoas com postura profissional íntegra. E é aí que mora o perigo. Já vi, por exemplo, pessoas que ficavam se questionando porque não existe aqui no Brasil um ambiente de trabalho como o do Google, ou da Microsoft. A resposta é simples: o brasileiro em geral é malandro e a maioria esmagadora das pessoas iriam se aproveitar das “coisas boas” da empresa. Iriam ficar jogando video-game, batendo papo, dormindo… e trabalhar que é bom, necas.
Há um bom tempo atrás eu trabalhei em uma empresa ali no Teleporto, que a “base” era meio européia, meio americana. Era uma multinacional e toda a cultura da empresa foi “herdada” de fora. Lá era TUDO liberado: horário, roupas, internet, IM… era bem aquele esquema de que ninguém quer saber o que você está fazendo, o que importa é que a sua tarefa seja encerrada no prazo combinado. A “educação” lá também era bem rígida, mas de uma forma boa: não podia falar alto no escritório, celulares no vibrador… coisas pra manter a concentração das pessoas. Eu considero isso o ideal em um ambiente de trabalho moderno, só que aí aparece o brasileiro no meio… A primeira coisa que cortaram foi o horário. E por um motivo simples e estúpido: começaram a perceber que algumas pessoas que chegavam meio-dia estavam saindo às 18 ou 19 horas e no final do mês logavam 8h/dia no sistema de timesheet, todos os dias. Não descontavam nada. E não eram poucas as pessoas que faziam isso. Depois, cortaram o IM (lá se usava muito MSN e ICQ). E cortaram porque algumas pessoas ficavam O DIA INTEIRO no bate-papo e acabavam atrasando suas tarefas. Tinha até um rapaz lá que falavam que tinha o alt+tab mais rápido do velho oeste, porque sempre que uma das chefes ia chegando perto ele mandava um alt+tab no MSN, mas isso não adiantava muito. Enfim, não vou me estender muito também, mas a idéia é que tínhamos TUDO nas mãos, o ambiente ideal, mas jogamos na privada e demos descarga. E isso só aconteceu por causa da nossa cultura de malandragem, de fazer tudo devagar, deixar pra depois, achar que ninguém tá vendo… Eu trabalhei em MUITOS lugares onde as pessoas eram assim. E infelizmente essas pessoas representam a parte maior (bem maior) da população.
Às vezes eu leio coisas sobre metodologias ágeis e fico me questionando sobre qual é a preocupação que os autores têm sobre o comportamento dos funcionários. Esse assunto é praticamente inexistente na literatura sobre métodos ágeis (ou pelo menos até hoje eu não li nada a respeito) e isso acontece dessa forma porque, creio eu, não foi originado aqui no Brasil, e sim em uma cultura muito mais responsável do que a nossa, que na verdade não precisa muito se preocupar com isso, porque as pessoas crescem com responsabilidade no sangue. Isso na minha opinião vai representar um grande obstáculo para a adoção em massa de métodos ágeis aqui no Brasil, já que muita gente vai ter que sair da zona de conforto e dar a cara à tapa pra trabalhar de verdade. Aí vão aparecer as deturpações de metodologias, que na verdade já estão acontecendo.
Não estou dizendo que as empresas estão certas em bloquear tudo, nem acho que isso é correto, pelo contrário. Só que existe um meio-termo nessa história. Como você bem deu a entender, as empresas não são as únicas culpadas por isso. Os funcionários também têm grande parcela de culpa nessa história. Como eu costumo dizer, se estão te tratando como criança, é porque provavelmente você se comportou como criança. Nada é de graça.
Bom, é isso, acho que me empolguei… hehehe. Grande abraço!
novembro 6th, 2008 at 7:45
Fala Marcio,
Eu concordo com exatamente tudo o que voce disse (poderia ate dar um POST o que voce escreveu). Grande parte da culpa e nossa mesmo. Enquanto eu continuar ouvindo de pessoas proximas a mim que querem fazer concurso pra arrumar um “emprego” que nao precise trabalhar, vai ser dificil.
PS: Claro que lembro de vc sim
Ah, e me perdoe os acentos. Ainda nao sei como colocalos no Mac
[]s