O Ventilador e o Pirulito
agile, engenharia, pragmatic outubro 23rd, 2008Faz alguns meses que os gujeiros Rodrigo Yoshima e Carlos Villela blogaram sobre o uso errado da tecnologia numa fábrica de pastas de dentes. Para resolver o problema de caixas vazias que passavam desapercebidas numa linha de produção, a empresa comprou uma ultra-mega-power solução que ainda acabou atrapalhando os trabalhadores da fábrica. Mas os próprios trabalhadores se encarregaram de comprar um ventiladorzinho de 20 dólares e dispensar o mega equipamento.
Quem é Brasileiro e principalmente presenciou as corridas de nossos grandes pilotos de Fórmula 1, provavelmente ainda acompanha a categoria, mesmo que exporadicamente. Eu, criado em uma família muito ligada a esportes, com forte inclinação para F1(por que será que meu nome é Emerson? Alguém consegue advinhar? rs), continuo acompanhando os campeonatos, na esperança de que um brasileiro novamente seja campeão mundial.
Eis que no primeiro GP noturno da história da F1 a Ferrari atrapalhou Felipe Massa durante o seu pit-stop com um equipamento ultra moderno que foi desenvolvido para substituir o tradicional pirulito, durante os pit-stops. Esse pirulito foi utilizado por mais de 20 anos e que sempre se mostrou adequado. O novo equipamento fica posicionado em uma altura acima da cabeça do piloto, o que dificulta a visualização em caso de uma nova instrução para parar. O piloto brasileiro perdeu uns 30 segundos pois a mangueira de combustível rompeu-se e sua corrida foi comprometida, inclusive comprometendo a possibilidade de conquiista do campeonato. No pit-stop seguinte, na mesma corrida, a Ferrari voltou a usar o pirulito e no GP seguinte, aposentou de vez a sua engenhoca.
Uma das filosofias que mais gosto para Desenvolvimento de Software nos tempos atuais é KISS. Eu até hoje não sei o motivo de querermos fazer as coisas de forma complicada ao invés de simplificar (eu mesmo já errei muito nisso). Note que simples não significa sem qualidade, mas fazer o suficiente que possa atender a necessidade. As metodologias ágeis da moda como SCRUM / XP falam muito sobre isso. A prática de TDD também tem esse foco, quando prega que devemos fazer o código mais simples possível que atenda a necessidade em questão. E não poderia me esquecer do tão importante princípio de Baby Steps, utilizado em tudo isso que mencionei anteriormente.
Eu sinceramente acho que esse problema é inerente do ser humano e nós é que devemos nos doutrinar pra não cair nessa besteira.


outubro 25th, 2008 at 7:21
Você foi muito feliz nesse exemplo da Ferrari mesmo. Eles estão complicando coisas simples e prejudicando muito o Massa. Ele tinha tudo pra ser campeão esse ano, mas as trapalhadas da Ferrari dificultaram demais isso agora
novembro 19th, 2008 at 12:56
Concordo em partes. Se vc olhar com atencao, esta “solucao” de 20 dólares pode não ser a mais adequada. OK. De repente pode-se colocar no lugar um outro tipo de ventoinha, que faça o mesmo trabalho mas acenda uma luz, por exemplo, a cada vez que uma caixa fosse rejeitada. Entretanto, colocar um sensor que acuse a presença ou não de pasta de dente na caixa, à longo prazo, teria um custo bem menor. Apenas a economia em matéria de energia elétrica já pagaria o dispositivo. Isso sem contar que alguém tem que ir lá e ligar e desligar o tal ventilador. Numa parada da máquina, eu duvido que alguém vá desligar. Faça as contas, não num mês, mas em um ano, e veja o quanto este ventilador iria custar em termos de energia elétrica. Soluções simples são ótimas, é claro, mas muitas delas podem ser aperfeiçoadas.
novembro 19th, 2008 at 12:58
Apenas complementando, com relação à Ferrari : manejar o tal “pirulito” envolve uma série de circunstâncias e habilidades, certamente muito difícies, no momento, de serem transferidas para o mundo eletrônico.
novembro 19th, 2008 at 14:30
@Eduardo Nogueira
Oi Eduardo, é pertinente o seu comentário. O fato é que o ventilador foi mais simples e resolveu o problema. Posteriormente, pode-se verificar algum tipo de ventoinha mais econômica talvez, visando resolver o problema da energia elétrica.
O ponto principal é que geralmente se busca soluções tecnológicas avançadas onde não existe necessidade pra tal. No caso específico do ventilador, poderia ser aperfeiçoado para algo afixado e mais econômico, usando o princícpio de Baby Steps (procure no google). Gastaram apenas 20 dólares para encontrar a solução (que pode e deve ser aperfeiçoada), ao invés de gastar uma grana com uma coisa que nem sabem direito se vai atender. É o que fazemos muitas vezes com software. Implementamos tudo de uma vez só, ao invés de ir fazendo aos poucos e vendo o que dá certo (prova disso é a engenhoca da ferrari).