RVM com Passenger e múltiplas instâncias HTTPD

No artigo anterior, falei sobre sobre RVM (Ruby Version Manager), explicando sobre instalação, configuração e seu funcionamento interno. Porém, não mencionei nada sobre seu uso com o Phusion Passenger (A.K.A mod_rails, mod_rack), e algumas pessoas me perguntaram sobre isso. Eu não abordei essa parte no artigo anterior por duas razões: A primeira é porque já era madrugada e o sono já me dominava :) e a segunda porque o artigo iria ficar muito grande e o conteúdo inicial já era suficiente para montar um ambiente local na máquina do desenvolvedor.

Esse artigo basea-se no uso do Apache 2.x e no Sistema Operacional OSX. Porém, as configurações em SOs POSIX se assemelham, portanto usuários do Ubuntu e afins não deverão ter nenhum problema.

Instalando o Passenger em uma Rubie/Gemset

Se você já usa RVM ou seguiu os passos do artigo anterior, já deve ter tudo instalado e configurado e já possui uma Rubie com ou sem Gemsets (não faz diferença ter Gemsets para esse artigo). Caso contrário, leia novamente.

Abra o terminal e entre na sua Rubie/Gemset, instale a gem do passenger e o módulo do apache (ou nginx):

$ rvm use rubie@gemset #ex: rvm use 1.8.7@minhaapp
$ gem install passenger
$ rvmsudo passenger-install-apache2-module

Muita atenção nesse momento. A instalação do módulo do apache (ou nginx) deve ser feita usando rvmsudo. Sem isso não funcionou comigo e acho que com ninguém vai funcionar :)

Feito isso, no fim da instalação do módulo ele vai mandar você colocar aquelas 3 linhas de configuração do Passenger nas suas configs do apache. Eu sugiro criar um arquivo passenger.conf ou similar e colar esse código dentro desse arquivo, pra não misturar com as configs básicas do Servidor Http. Se você estiver usando Mac, as configurações do apache provavelmente estarão em /etc/apache2 e existe um diretório other, onde colocamos as configurações adicionais, como esta que acabamos de criar para o passenger.

Agora precisamos ajustar um detalhe nessas configurações do Passenger. Quando instalamos o Passenger e módulo do apache em uma RVM, a terceira linha da configuração (PassengerRuby) que a instalação sugere, não aponta para o diretório correto, e não funciona. É necessário fazer uma modificação e vou explicar.

Quando instalamos a RMV, ele cria um diretório chamado ~/.rvm/bin, onde ficam todos os executáveis das rubies (ruby, irb, gem, ri, rdoc). A instalação do Passenger não entende isso e aponta para uma estrutura diferente, formada da seguinte maneira: ~/.rvm/rubies/{Rubie}/bin/ruby, e isso não funciona. Portanto, precisamos alterar essa linha para que fique da segunte forma:

$ PassengerRuby ~/.rvm/bin/{Rubie}@{Gemset}

A documentação sugere uma forma diferente dessa, nos indicando executar rvm {Rubie@Gemset} –passenger e substituir essa terceira linha da segunte forma:

$ PassengerRuby ~/.rvm/bin/passenger_ruby

O que isso faz é criar um link symbólico de passenger_ruby apontando para o {Rubie}@{Gemset} que você quer. Eu acho isso desnecessário, principalmente porque você pode querer usar o passenger com várias Rubies diferentes, que é o que vou abordar mais adiante. Portanto, eu prefiro ficar com a primeira opção.

Agora basta configurar o VirtualHost (presumo que você já sabiba fazer isso) e reiniciar o Apache. Nesse momento tudo já deve estar funcionando corretamente e você deve estar conseguindo ver sua aplicação funcionando. Não se esqueça de configurar o /etc/hosts (é bastante comum ver gente capotando porque esqueceu essa parte, rs).

Múltiplas apps em Rubies diferentes

Segundo a documentação do Passenger, a diretiva PassengerRuby deve ser usada apenas uma vez, nos limitando a ter nossas aplicações em uma Rubie/Gemset única. Uma maneira comum de trabalhar com essa limitação é instalar o Ruby Enterprise Edition (i.e. Ruby EE) ou qualquer versão de Ruby e instalar todas as gems de todos os projetos nessa Rubie. A partir daí, basta criar um VirtualHost para cada Aplicação. Essa era a forma que trabalhavamos sem RVM. Com RVM a idéia e sair dessa limitação, podendo por exemplo rodar uma app usando Ruby 1.8.7 com Rails 2.3 e outra com Ruby 1.9.2 e Rails3. Isso inclusive num ambiente de produção, isolando bem as apps e evitando conflitos. Vamos portanto resolver o problema de outra maneira.

Criando uma nova configuração para o Apache

Talvez você não saiba, mas o diretório /etc/apache2 não é o servidor Apache HTTPD propriamente dito, mas as configurações que esse servidor usa quando você sobe a instância. Por padrão, o apachectl procura as configurações nesse diretório, mas é perfeitamente possível indicar o path do arquivo de configuração que você quer usar, e é baseado nisto que vamos usar uma alternativa melhor.

Antes de qualquer coisa, vamos trocar alguns parâmetros na configuração default do Apache, para podermos rodar mais de uma instância sem nenhum tipo de problema acidental. Por padrão, nas configurações em /etc/apache2/httpd.conf tem um Listen definito para *:80. Vamos mudar isso:

Listen 127.0.0.1:80

Mudemos também quaisquer configurações de VirtualHost existentes que estejam usando *:80:

VirtualHost 127.0.0.1:80

Agora chegou a hora de clonar essas configurações para uma nova. Esse trabalho é um pouco chato, portanto resolvi criar um Shell Script para isso chamado osx-clone-apache.sh que pode ser baixado aqui e está no meu gist. Já testei no Snow Leopard e Leopard. Se alguém quiser fazer um para ubuntu e outros SOs é bem vindo e eu coloco como update no artigo.

Baixe o Script e execute a seguinte linha no terminal:

$ sudo ./osx-clone-apache.sh http-clone 127.0.0.1:80 127.0.0.2:80

Onde http-clone é o nome da nova configuração que será criada dentro de /etc, 127.0.0.1:80 é o Listen que está configurado em /etc/apache2 e 127.0.0.2:80 é o novo Listen. Essa nova configuração não leva nada do diretório other nem do passenger_pane_vhosts se você estiver usando o Passenger Preference Pane.

Agora que temos uma nova config do apache apontando para 127.0.0.2:80 precisamos configurar nossa interface de rede para passar a responder a esse ip:

$ ifconfig lo0 alias 127.0.0.2/32

Se não me engano, no Ubuntu isso não é necessário, mas no Mac eu não conheço outra forma de fazer isso. Se alguém souber é bem vindo.

Nesse ponto basta repetir os mesmos procedimentos de configuração de Passenger para novas Rubies e Gemsets para essa nova configuração do apache que acabamos de criar. Mais uma vez não esqueça de ajustar suas configurações no /etc/hosts.

O último passo é subir uma instância do apache usando as novas configurações criadas.

$ sudo apachectl -f /etc/{novaconfig}/httpd.conf -k start

Pronto, você já tem 2 instâncias do Apache rodando versões de Ruby/Rails diferentes na mesma máquina.

Conclusão

O RVM (Ruby Version Manager) trouxe uma nova perspectiva no gerênciamento de ambientes Ruby/Rails. O Deploy de Aplicações com versões de Ruby e Rails usando Phusion Passenger numa mesma máquina se torna trivial, desde que se saiba o que está fazendo. As configurações apresentadas neste artigo podem (e acho que devem) ser usadas também em ambiente de produção, pois a SANDBOX criada é muito mais simples de ser gerênciada do que aquela mistura habitual de VirtualHosts, Gems e afins.

Mãos a obra !!!

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Gerencie seu ambiente Ruby com RVM

Introdução

Ruby 1.8, Ruby 1.9, Rails 2, Rails 3, cada projeto usando diversas gems. Como isolar esses ambientes para evitar conflitos?

Em Outubro de 2007, surgiu uma ferramenta chamada RVM, com o objetivo de criar ambientes isolados para desenvolver software em Ruby, permitindo que programadores pudessem usar várias versões de Ruby e Gems numa mesma máquina de forma limpa e sem conflitos. O projeto vem se tornando mais popular este ano, e de fato tem se mostrado muito útil. A lista dos autores pode ser conferida aqui.

Instalação

Para instalar o RVM, não é preciso muita coisa além de um ambiente POSIX (linux, bsd, etc). Eu instalei no meu Mac sem problemas. Eu acho que a única coisa que não vem por padrão que você precisa instalar é o git, que é usado para instalar/atualizar o RVM e instalar/atualizar as versões de Ruby.

Dito isso, abra o terminal e execute o seguinte comando:

$ bash < <( curl http://rvm.beginrescueend.com/releases/rvm-install-head )

O procedimento não deve demorar mais que alguns minutos, dependendo da sua conexão. Em seguida, abra seu profile (.bash_profile, .profile, .bashrc, etc) e adicione as seguintes linhas:

[[ -s "$HOME/.rvm/scripts/rvm" ]] && source “$HOME/.rvm/scripts/rvm”
PS1=”\$(~/.rvm/bin/rvm-prompt) $PS1″

A segunda linha é para que a versão do Ruby que você estiver usando apareça no prompt, caso contrário você vai precisar ficar verificando a todo momento qual versão você está usando e isso pode ser bem chato.

Em seguida, carregue o rvm (da próxima vez que abrir o shell isso não será mais necessário):

$ source ~/.rvm/scripts/rvm

Pronto, o RVM está instalado e é hora de começar a arrumar nosso ambiente.

Instalando versões de Ruby

A partir do RVM, é possível instalar qualquer implementação Ruby. Por exemplo, podemos instalar o Ruby, Ruby Enterprise e o Jruby. Para uma lista completa acesse aqui.

Nesse tutorial, vamos instalar o ruby 1.8.7 . Execute o comando abaixo no terminal:

$ rvm install 1.8.7

1.8.7 é um atalho para o último patchlevel da verão 1.8.7 do Ruby. Em geral, isso funciona para todas as versões. A instalação demora um pouquinho, mas nada absurdo, portanto vá tomar um café e volte. Após o termino, “entre” no ambiente do Ruby instalado.

$ rvm –default 1.8.7

Nesse momento, você entrou no Ruby 1.8.7 e definiu essa VM como default no RVM.

Para voltar ao Ruby do systema (fora da RVM), basta ir no shell e digital:

$ rvm use system

Para listar as VMs instaladas (ou Rubies como preferem os criadores e como chamaremos a partir de agora), basta digitar:

$ rvm list

Escolha a Rubie e use-a conforme o exemplo abaixo:

$ rvm use 1.8.7

Instalando as Gems

Uma das manias que a maioria dos Rubistas tem é instalar as gems usando sudo. Isso hoje em dia é considerado má prática. Ainda mais com RVM, já que a intenção é criar uma espécie de SANDBOX por usuário/aplicação, conforme veremos a seguir.

Primeiramente vamos ver as gems que estão instaladas na nova Rubie. O comando é o já conhecido gem list. Ao rodar esse comando na Rubie instalada pelo RVM, você pode ter a impressão que suas gems sumiram, mas na verdade isso é exatamente o esperado, pois cada Rubie tem seu ambiente totalmente isolado. Para ter uma idéia, rode o seguinte comando e veja o output:

$ rvm info

O output fornece toda a informação sobre o ambiente dessa Rubie que está sendo usada no momento. Observe bem a linha home: \n gem:. Nela você verá onde estão sendo instaladas as gems. Repare que ele cria uma estrutura de diretórios sugestiva para você manter suas gems bem isoladas. A estrutura é a seguinte:

~/.rvm/gems/{Rubie@Gemset}/

Todas as gems serão instaladas nesse diretório. Não estranhe o @Gemset, falaremos dele adiante.

Vamos então instalar o Rails nessa Rubie. Não use sudo pelo amor de Deus :)

$ gem install rails –no-ri –no-rdoc

Depois execute um gem list para ver seu ambiente instalado. Se quiser, execute rvm system e veja que suas gems no ruby do sistema provavelmente são totalmente diferentes.

Gemsets

Vamos falar agora do tal @Gemset que eu coloquei na estrutura. Gemsets é uma forma de criar uma SANDBOX mais “profunda”. Em um primeiro momento pode parecer desnecessário, mas se você pensar que pode ter mais de um projeto por Rubie e não quer que as gems deles se misturem nem gerem algum tipo de conflito, essa estrutura passa a fazer todo sentido.

Supunha que você tenha um projeto chamado blog. Para criar uma gemset (e entrar nele) para esse projeto basta executar o seguinte comando:

$ rvm gemset create blog && rvm gemset use blog

Feito isso você verá que no seu prompt (se você fez essa configuração de instalação) estará aparecendo da seguinte forma: rubie@gemset. Rode o comando gemlist e verá que novamente suas gems que foram instaladas na Rubie sumiram. Mais uma vez isso é esperado, pois acabamos de criar uma nova SANDBOX para esse projeto específico. Nesse momento, basta instalar suas gems nessa gemset que seu projeto terá um ambiente totalmente isolado.

Se você executar o rvm info, verá que a home das suas gems está com um path diferente do anterior, pois o rvm criou um diretório para a Ruby com a nova Gemset, deixando tudo muito bem organizado.

Existem algumas gems que todos os projetos podem precisar, como Rake e Capistrano. Não seria uma boa idéia instalar essas gems em cada gemset. O RVM nos dá uma ajuda nesse sentido, criando uma gemset global, permitindo compartilhar gems entre todas as gemsets de uma Rubie. Para instalar uma gem nessa gemset basta mudar para ela e installar, como já vimos anteriormente. Vamos a um exemplo:

$ rvm gemset use global
$ gem install capistrano capistrano-ext –no-ri –no-rdoc

Pronto, essas gems não precisam mais ser instaladas para cada projeto novo que você for rodar nessa Rubie.

Conclusão

O Ruby Version Manager é uma ferramenta muito interessante para gerênciar seu ambiente Ruby. Ter vários Rubies instalado se torna cada vez mais comum, pois os projetos antigos precisam ser mantidos e novos projetos surgem, usando Rubies mais novos. O uso dos gemsets para isolar as gems também faz toda a diferença, evitando diversas dores de cabeça e deixando o ambiente organizado e limpo. Vale a pena experimentar.

<< UPDATE >>

Tem um comando importante que não abordei que é o rvm list known que mostra as opções de Rubies disponíveis para instalação. Créditos ao Rodrigo Lopes.

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Computação Ubíqua e Dispositivos móveis

Introdução

É fato que nos dias de hoje muitas tecnologias novas surgiram no cenário mundial. Temos sido inundados por celulares, smartphones, notebooks, netbooks e outros mais. Hoje em dia existe internet 3G nas principais grandes cidades do mundo. Internet WIFI já é algo comum faz tempo. Esses recursos estão começando a mudar nossas vidas de uma forma surpreendente. Mas será que essa idéia é nova? Quando será que começaram as pesquisas sobre essas tecnologias? Qual será o impacto futuro em nossas vidas? Acredito que estamos realmente num caminho onde a computação fará parte de quase todos os objetos que usamos no dia a dia.

Definição

Ubíquo não é uma palavra muito usada em nosso cotidiano. Portanto, vale a pena apresentarmos alguns significados para nos ajudar a aprofundar mais no assunto.

Ubíquo significa algo universal, ou seja, algo que todos entendem, conhecem. Ubíquo também pode ser interpretado como aquilo que esta presente em todos os lugares, ao mesmo tempo. É como onipresença. Essa segunda definição tem mais a ver com o conteúdo desse artigo.

História

Em 1991, Mark Weiser escreveu um artigo chamado “O Computador do Século 21 (The Computer for the 21st Century). Weiser era cientista chefe do Centro de Pesquisa Xerox PARC. Nesse artigo, ele definiu o termo Computação Ubíqua, que define um contexto onde a presença computacional em algum objeto é totalmente transparente para quem usa e em alguns cenários totalmente invisível. Weiser também exemplifica a escrita, que foi provavelmente a primeira tecnologia de informação e que se tornou Ubíqua em países industrializados. Ele usa esse exemplo para definir que as tecnologias que são mais profundas são as aquelas que “desaparecem”. Por desaparecer, acho que Weiser quis dizer que a tecnologia fica tão arraigada no nosso dia a dia tornando seu uso automático, deixando de ser aquele algo novo e surpreendente. Vislumbrando como seria a computação do nosso século, Weiser também fala sobre redes gigabits, armazenamento de terabytes e sobre Tabs e Pads, que seriam os palms, smartphones, Kindles e iPads que temos hoje. Quase no fim do artigo, ele conta uma estória ilustrativa de uma pessoa vivendo nesse mundo todo conectado e apresenta diversos protótipos feitos por ele e sua equipe de alguns desses equipamentos e tecnologias.

No que diz respeito a tecnologias, lembro-me bem que Java era uma dessas que originalmente foi criada para ser usada em dispositivos embarcados, especialmente na informatização da casa, mas era algo muito avançado para época. Isso surgiu no mesmo ano em que Weiser escreveu seu artigo. No fim das contas a linguagem Java tomou outro rumo, muito bem sucedido por sinal.

Contexto atual e futuro

É impossível negar que a computação Ubíqua tem afetado nosso dia a dia. Hoje temos Hotspots WIFI em diversos lugares. A internet 3G está presente nos celulares modernos, possibilitando infinitas formas de comunicação. Serviços de Voz sobre IP tornaram possível usarmos ferramentas como Skype, que permite obter um número de um País e utilizar em qualquer lugar do mundo. Cada vez mais fazem parte do nosso dia a dia tecnologias como as de automóveis com computador de bordo, iPhones, iPads, totem para compra de ingressos no cinema, totem para check-in de voos, e outros mais.

Outra tecnologia que está acelerando o processo da computação Ubíqua é o Cloud Computing. Há alguns anos, milhares de pessoas tem suas contas de email online em serviços como gmail, yahoo mail e similares, de forma a não precisarem mais de um cliente de email como ferramenta obrigatória em seus computadores. Essa modalidade é conhecida como SaaS (Software as a Service). Outra modalidade é o IaaS (Infrastructure as a Service), onde existe uma infraestrutura transparente para quem contrata servidores, podendo adicionar mais recursos computacionais ao invés de mais um computador ou hardware físico. Mais recentemente surgiram também plataformas para desenvolvimento de software totalmente na web como o Google App Engine, Heroku e outros. Esse é o modelo PaaS (Platform as a Service).

Hoje em dia fala-se muito também em casas inteligentes, um conceito onde toda a casa está interligada e conectada, permitindo que luzes acendam com comando de voz, geladeiras enviem pedidos de compras ao supermercado quando estiverem perto de esvaziar, cafeteiras saberem o horário do seu café da manhã e prepararem o café sem você precisar fazer nada, e por ai vai. Esse conceito está ligado a Computação Pervasiva, que é uma espécie de subárea da Computação Ubíqua. Quem assistiu o filme “O Demolidor” (1993), com os atores Silvestre Stalone e Welsey Snipes, lembra que esses conceitos estão presentes no filme. Embora atualmente existam algumas iniciativas de empresas nesse ramo de Computação Pervasiva, essa tecnologia ainda está bem distante de uma adoção em massa.

Falando de futuro, é bem verdade que ainda não chegamos no nível onde Weiser aponta em seu artigo, mas afinal, ainda estamos no início do século, tendo passado apenas uma década. Uma das frases ditas por ele nesse artigo que chamou muito a atenção sobre esse futuro foi: “Não precisamos de nenhuma revolução na inteligência artificial, apenas incorporar a computação no cotidiano”.

Conclusão

O Caminho para Computação Ubíqua tem avançado muito nos últimos anos. As pesquisas e previsões de Mark Weiser tem se concretizado, quase que como uma profecia. Como profissionais de TI, nos resta estar atentos as oportunidades de negócio que essas tecnologias tem a nos oferecer e tirar proveito disso.

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Seu software também deve comunicar-se corretamente

Alguns estudos apontam que o maior problema da maioria das empresas é a comunicação. Esforços incansáveis são feitos para melhorar isso e todos sabemos que é um grande desafio. Mas e o Software? Será que este também não deveria comunicar-se de forma mais clara com seus usuários?

Exemplo triste – Aconteceu comigo :(

Ontem a tarde me aconteceu uma situação pouco comum. Após terminar o jogo do Brasil pela Copa 2010, fui com minha esposa ao supermercado fazer algumas compras. Compramos um bocado de coisas. Diria que fiquei mais de 1 hora no mercado. Na hora de pagar, eis que surge um problema. O cartão Alimentação Pass da Sodexo não funcionou. A máquina informou a seguinte mensagem: “FALHA NA COMUNICAÇÃO” (que imagino ser um problema de rede ou algo do tipo). A caixa do mercado repetiu o processo em outra máquina e o problema permaneceu. Até ai tudo bem. Afinal, indisponibilidade é algo que pode acontecer.

Passado alguns minutos, a caixa chamou o fiscal do mercado que nos atendeu de forma simpática e pegou uma outra máquina para tentar novamente fazer o pagamento (nesse momento eu já estava pensando em usar o cartão do banco de deixar pra lá o sodexo). Eis que a máquina informa que o saldo estava zerado, ou seja, teoricamente em alguma das passagens a compra foi paga. Percebi então que uma simples ida ao mercado ia me dar uma dor de cabeça sem tamanho.

O simpático fiscal, ao verificar o problema, foi a gerência da loja para tirar relatórios e verificar o que aconteceu. Voltando, a única coisa que saiu no relatório foram transações não concluídas. Nesse momento eu perguntei ao fiscal: O sistema não informa qual foi o problema? Ele me disse: Não, o sistema só informa que não foi relalizada. Acabei ficando sem saber o que estava acontecendo de fato, já que meu saldo estava zerado. A minha única certeza é que em algum lugar foi debitado a compra do meu cartão sodexo.

O próximo passo foi tentar verificar na sodexo. Abri meu iphone e entrei no site para verificar o saldo. Digitando o número do cartão e cpf, recebi a mensagem “Não foi encontrado um cartão para os dados informados”. Achei um pouco estranho e liguei para um amigo, passei meus dados e pedi para ele verificar, pois poderia ser que o site não oferecesse um comportamento correto no browser do iphone. Ele verificou e a mesma mensagem apareceu. Caiu a ficha. Estava acontecendo algum problema grave na Sodexo.

Liguei então para central de atendimento. O atendimento eletrônico me pediu o número de cartão e senha e em seguida me informou o saldo. Para minha surpresa, o saldo era o dobro do saldo que deveria ser, ou seja, nem estava zerado, nem estava correto. Comecei a falar com o atendente e pedi meu saldo novamente. Ele me disse: Seu saldo é zero. Retruquei: Como zero se o atendimento eletrônico me disse o saldo X? Ele respondeu: Houve uma queda geral nos sistemas e estamos dando o prazo de até as 00:00 de hoje para tudo voltar ao normal.

No fim das contas paguei com cartão de débito do banco.

Análise do problema.

Após esse incidente, pensei um pouco sobre esse sistema de pagamentos.

Sobre a compra, provavelmente o que aconteceu é que o Sodexo debitou o valor e como a máquina não respondeu e o sistema caiu, a transação deve ter ficado pendente, prendendo meu saldo. Nesse momento, fazia sentido não ter saldo até que o sistema fosse restabelecido por completo. Mesmo assim, alguma coisa me incomodou. Por que a mensagem de retorno não poderia informar o que estava acontecendo? Não poderia informar alguma coisa melhor que “FALHA NA COMUNICAÇÃO”? Naquela hora, eu não sabia se o problema era da Sodexo, que não informava um código/retorno de erro adequado, ou se a máquina não tratava os retornos de erros corretamente.

Enviar mensagens de erro corretamente e fazer tratamento de forma adequada são fundamentais na comunicação com o usuário, quando o sistema apresenta comportamentos inesperados. A falta de atenção nisso é mais comum do que parece e vou exemplificar. Existem diversos sistemas que ignoram mensagens, como por exemplo situações onde um dos lados (ou ambos) em uma comunicação  ignoram os status code http. Ex:

HTTP/1.1 200 OK
Content-Type: text/xml

<error>
  <code>123</code>
  <message>Ocorreu um erro</message>
</error>

Percebeu o problema?

Outro caso bem comum acontece quando quem envia uma mensagem para um objeto trata todos os retornos de erros de forma igual e não mostra claramente a mensagem. Ex:

try {
  objeto.fazAlgumaCoisa();
catch (Exception e) {
  log.error("Deu algum erro");
}

Já vi muito código assim e isso dificulta bastante pra quem está tentando entender o que está acontecendo.

Pior que isso foi o sistema web me dizer que não achou meu cartão, quando na verdade algum outro sistema que esse se comunica estava fora do ar. Não podia simplesmente informar algo como “Nosso sistema está em manutenção, previsão de retorno para X horas”? Cartão inexistente é inadmissível, pois certamente o cliente ficará confuso sobre o que está acontecendo.

E o saldo no atendimento eletrônico que estava dobrado? Eu aprendi certa vez que esse tipo de informação deveria vir de somente um lugar. No caso eu obtive 3 valores diferentes para meu saldo, o que me indica que esse principio não foi respeitado.

E sobre a indisponibilidade do sistema? Que tal enviar automaticamente um SMS/twitter/email ou qualquer outra coisa para que os clientes possam se preparar para esse tipo de situação? Ser pego de surpresa é sempre ruim.

Conclusão

Comunicação não é só importante entre pessoas. Nossos Softwares precisam comunicar-se adequadamente com seus usuários. Muitos ignoram isso completamente. Tenho certeza que podemos melhorar isso.

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